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Remédios estão 4,33% mais caros desde 31 de Março de 2019

Os preços de todos os remédios vendidos no Brasil sofreram um aumento de 4,33%, desde o último Dia 31 de Março, por causa do reajuste anual dos medicamentos. O percentual de alta, estabelecido pela CMED (Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos), se deu acima da inflação de 3,75% em 2018. Nos dois últimos anos, o reajuste ficou abaixo da inflação. A alta vale apenas para remédios vendidos com receita. Medicamentos para dor, febre, resfriado ou má digestão, por exemplo, são de venda livre e não têm o preço controlado pelo governo, já que há grande concorrência no mercado.

De acordo com o Sindusfarma (Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos) o reajuste nem sempre se dá no percentual máximo, e os medicamentos têm subido abaixo da inflação. Diferentemente de 2018, o aumento não será aplicado conforme o tipo de remédios.

O reajuste de 4,33% proposto pela CMED funciona como um teto que limita o aumento dos medicamentos no país. “Farmácias trabalham com estoque. É possível que o consumidor ainda encontre o preço anterior meses depois em alguns locais”, afirmou Nelson Mussolini, presidente-executivo do Sindusfarma. “Além disso, a própria indústria não tem repassado esses reajustes.”

Pesquise para economizar

Dada a alta variedade de fabricantes e redes de farmácia, uma dica para tentar fugir do aumento é sempre pesquisar as diferentes opções de marcas e vendedores.”Sempre falamos para o consumidor: procure o melhor preço para comprar, você pode encontrar em locais medicamentos que tiveram um repasse menor”, afirmou Mussolini.

Como é feito o cálculo

As regras para o reajuste no preço dos remédios foram criadas em 2003. Uma vez por ano, no final de março, o governo anunciou o limite máximo autorizado para o reajuste. A CMED usa diferentes fatores para estabelecer o reajuste. Basicamente, o cálculo é feito por meio da somatória do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) com os preços de outros setores influentes (como variações do dólar e da energia elétrica) menos a produtividade da indústria farmacêutica. Neste ano, diferentemente de 2018, o cálculo ficou acima da inflação porque o governo considerou que não houve ganho de produtividade na indústria. Isso significa que essa taxa, que poderia desacelerar o aumento, foi zero.

Cuidado ao estocar remédios: Se você pensa em estocar remédios para aproveitar o preço velho, a validade não é o único quesito na hora de armazená-los. Também é preciso tomar cuidado com a temperatura e a luminosidade de onde ficarão guardados. De acordo com Graciliano Ramos, professor de Farmacologia da Uncisal (Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas), os medicamentos no geral devem seguir os seguintes cuidados:Sempre estar na validade, Manter entre 8°C e 25°C e Evitar alta luminosidade. “Expor os medicamentos a temperaturas superiores ou inferiores às indicadas pode trazer reações químicas com efeitos tóxicos”, afirmou Ramos. Ele dá o exemplo do antibiótico Tetraciclina. “Mesmo dentro da validade, se ele ficar acima de 25°C, pode ter uma reação que causa danos renais e pode levar até à necessidade de hemodiálise.”

O mesmo serve para a luminosidade. Segundo o farmacologista, a exposição intensa à luz, mesmo fria, de lâmpadas LED, pode alterar as propriedades do medicamento. “Por isso os vidros de remédios vêm na cor âmbar, para colaborar com o controle luminoso.” Se mantiver o medicamento nas condições indicadas, Ramos disse que basta prestar atenção na data de validade, mas nunca desrespeitá-la. “Fora da validade eles perdem os estabilizantes, não mantêm a estrutura clínica, o que os deixa extremamente tóxicos e nocivos.”

Alexandre Lopes – Radialista DRT 5722/CE. Pesquisa de Dados da Matéria: economia.uol.com.br