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Com mesmos sintomas de covid-19, hantavirose desperta alerta no DF

O assunto ficou esquecido desde o surto de hantavirose ocorrido em 2004. Mas, se a opinião pública deixou o assunto morrer, a Secretaria de Saúde, não. As ações de combate e a prevenção de novos casos seguem sendo feitos pelos técnicos da pasta. O DF, neste ano, registrou apenas três casos da doença. Na série histórica de 2007 até hoje, foram catalogadas 67 ocorrências em moradores do Distrito Federal. De 2018 para cá, apenas cinco registros foram feitos.

A área técnica segue um trabalho incansável e, nesse momento de coronavírus, os cuidados são redobrados. Isso porque os sintomas são semelhantes e a investigação mais criteriosa é a que vai determinar os cuidados mais apropriados. A doença é mais comum nos meses de maio a agosto, com predomínio da ocorrência em homens e consequentemente mais óbitos para esse gênero. A letalidade da doença chega a quase 50%.

Quando a pessoa é proveniente da zona rural, é necessário pedir os exames para averiguar se os marcadores são da hantavirose ou da Covid-19. É um trabalho conjunto entre as equipes médicas, a Vigilância Epidemiológica e a Vigilância Ambiental. O DF segue com números baixos da doença, mas é importante esse alerta para a ponta”, comenta Roberto Dusi, técnico da área na Vigilância Epidemiológica.

O Distrito Federal faz, por ano, cerca de uma dezena de investigações ambientais para confirmar ou descartar casos de Hantavirose. Nessas oportunidades, os técnicos aproveitam para ministrar informações sobre cuidados que a população deve tomar para evitar a doença e a propagação do vírus que provoca a Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus.

As zonas rurais são as áreas mais propensas por causa da incidência dos roedores silvestres que podem eliminar o vírus pela saliva, urina e fezes e contaminar os seres humanos que tiverem contato com essas excreções. Esses animais podem carregar o vírus por toda a vida sem que eles mesmos sejam atacados pela doença”, explica Rodrigo Menna, gerente de animais vertebrados da Diretoria de Vigilância Ambiental.Cuidados

A infecção humana ocorre pela inalação de aerossóis formados a partir do ressecamento das fezes, urina fresca e saliva dos roedores silvestres contaminados pelo vírus, e o período de incubação é de 9 a 33 dias, com mediana de 14 a 17 dias. Por isso, os técnicos orientam a população a fazer varrição com máscaras de proteção; dar destinação apropriada a entulhos e evitar, assim, lugares que servem como esconderijo para os ratos; manter alimentos e rações estocados de maneira apropriada, de forma a evitar a atração e contato dos roedores com esses produtos.

Veja o ciclo de transmissão da doença:

Sintomas da Doença

Fase inicial: Febre, dor nas articulações, dores de cabeça, dores lombares e abdominais, sintomas gastrointestinais;

Fase cardiopulmonar: Febre, dificuldade de respirar, respiração acelerada, aceleração dos batimentos cardíacos, tosse seca, pressão baixa;

Diagnóstico diferencial

A recomendação da área técnica da vigilância epidemiológica é que sejam feitos exames para diagnóstico diferencial (hipótese formulada pelo médico a partir da sintomatologia e de outras informações apresentadas pelo paciente durante o exame clínico, que pode restringir as possibilidades de doenças relacionadas àquele caso), uma vez que alguns sintomas se confundem com o de outras doenças, como leptospirose, pneumonia, dengue e a própria Covid-19. Durante a consulta, os médicos devem inquirir o paciente sobre sua procedência. Confirmada a relação com área rural, o diagnóstico diferencial é essencial.

Homenagem

A área de vigilância à Saúde da Secretaria de Saúde presta homenagem ao biólogo Luiz Eloy Pereira, do Instituto Adolfo Lutz, em São Paulo, que faleceu recentemente, aos 70 anos, e que deu importante colaboração ao controle da Hantavirose no Distrito Federal, e no Brasil. Luiz foi um dos grandes nomes da pesquisa de arbovírus no país. Doutor em Pesquisas Laboratoriais em Saúde Pública, seu conhecimento foi de suma importância para a descoberta de diversos agentes virais e de seus reservatórios, dentre eles o vírus Rocio, Arenavírus Sabiá e os Hantavírus Juquitiba e Araraquara.

Sua trajetória iniciou-se em 1966 quando, aos 16 anos de idade, ingressou no Instituto Adolfo Lutz como estagiário. Seguiu os passos de seu pai, Luiz Pereira, que era técnico de laboratório, acompanhando-o em inúmeros trabalhos de campo, os quais coordenou até sua aposentadoria. Formou-se em 1980 em Ciências Biológicas, tornando-se durante os anos seguintes um pesquisador especializado em identificação de aves, morcegos e roedores silvestres.

Alexandre Lopes – Radialista Profissional DRT 5722/CE. Pesquisa de Dados da Matéria: www.saude.df.gov.br/saude-mantem-vigilancia-constante-da-hantavirose/