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PF investiga associação criminosa suspeita de fraudar compra de próteses no Ceará

Dois mandados de prisão temporária e 26 de busca e apreensão e de sequestro de bens começaram a ser cumpridos ontem, 14, em fase da Operação Fratura Exposta, deflagrada pela Polícia Federal. A Polícia investiga desde 2016 esquema de corrupção que envolve médicos ortopedistas vinculados a hospitais públicos do Ceará e empresários que comercializam materiais médico-cirúrgicos como próteses ortopédicas. Embora os nomes dos 14 suspeitos não tenham sido divulgados pela PF, é sabido que eles devem responder pelos crimes de associação criminosa e corrupção ativa e passiva, com penas que variam de dois a 12 anos.

Dos mandados de prisão, ambos direcionados a empresários envolvidos no esquema, somente um foi cumprido integralmente. Outro, de acordo com a PF, não foi concluído porque o suspeito está em viagem para o exterior. 80 policiais federais estavam envolvidos nessa Operação.Conforme a investigação, os suspeitos teriam vínculo com o Instituto Doutor José Frota (IJF), o Hospital Geral de Fortaleza (HGF), o Hospital Universitário Walter Cantídio (HUWC) e o Hospital Regional do Cariri – este, administrado pelo Instituto de Saúde e Gestão Hospitalar (ISGH). A Polícia acredita que o esquema estivesse ativo até o ano passado e que, pelo menos, entre 2013 e 2016, tenha movimentado indevidamente em torno de R$ 1,8 milhões.

Funcionava assim: médicos vinculados às quatro unidades hospitalares requeriam materiais médico-cirúrgico superfaturados de uma empresa importadora em troca de comissões indevidas, “onerando os pagamentos dos procedimentos feitos pelo SUS”, segundo a PF. A Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa) informou, em nota, que acionou a Procuradoria-Geral para saber detalhes da investigação que envolve as unidades associadas ao Estado. Afirmou, também, que é “de seu total interesse que todos os fatos sejam devidamente investigados e que os envolvidos em qualquer irregularidade sejam punidos dentro da lei”.

Já a direção do IJF alegou que nem sequer foi notificada das investigações. “Em tempo, o hospital reafirma sua disposição para a colaboração com todos os órgãos fiscalizadores. Em nota, o HUWC informou que o seu fluxo de aquisições de insumos ortopédicos segue rigorosamente a Lei Geral de Licitações e Contratos e que está à disposição das autoridades.

Alexandre Lopes – Radialista DRT 5722/CE. Pesquisa de Dados da Matéria: www.opovo.com.br